quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O Papa Bento XVI sempre vela pelas vítimas de abusos, afirma autoridade vaticana

Fui testemunha direta do grande trabalho do Santo Padre neste delicado tema, assinala

Dom Charles Scicluna, Promotor de Justiça da Congregação para a Doutrina da Fé

.- O Promotor de Justiça da Congregação para a Doutrina da Fé (o "fiscal" do Vaticano), Dom Charles Scicluna, explicou que como Cardeal e agora como Papa, Bento XVI sempre rechaçou e rechaça os abusos sexuais cometidos por alguns membros do clero. Esta vontade sempre explícita busca também defender e promover o bem-estar das vítimas, indica.

Em entrevista concedida ao canal Fox News e recolhida pela Rádio Vaticano, Dom Scicluna explica a clara linha de ação do Santo Padre: "sou testemunha direta da obra realizada pelo Cardeal Prefeito (da Congregação para a Doutrina da Fé) entre 2002 e 2005, quando examinou centenas de casos de abusos sexuais. Vi diretamente a piedade, o sentido de frustração e de raiva que estes suscitaram no Cardeal Ratzinger, o mesmo homem que ao 19 de abril de 2005 se converteu em Bento XVI".

Depois de comentar que também foi testemunha de como no dia 6 de maio o Santo Padre confirmou todas as decisões de João Paulo II sobre estes casos de abuso sexual, já que ele mesmo havia pedido a eles que desse toda a prioridade em 2003, o sacerdote comenta que "sabemos bem quão determinado está em estabelecer um exemplo muito claro e um padrão muito alto neste âmbito".

"Quem duvida de suas intenções deveria ler sua Carta aos Católicos da Irlanda. É uma carta belíssima: é uma carta escrita por um Papa a uma comunidade católica em um país nobre, de grandes tradições cristãs, ferido pelo pecado de alguns de seus sacerdotes. O Papa fala com o coração. Dirige-se às vítimas e também aos culpados e aos pecadores dizendo-lhes que ‘devem admitir, com humildade, seu pecado e com grande humildade devem assumir as conseqüências e devem arrepender-se, devem pedir perdão e devem pedir a graça de poder levar uma vida de oração pelo que fizeram’".

O sacerdote se refere logo aos emotivos encontros do Papa Bento com algumas das vítimas: "às vezes chorei com eles porque a dor é cruel quando as pessoas retornam de repente ao trauma".

"É uma experiência –explica– muito importante já que estas pessoas precisam ser escutadas pela Igreja. Quando me ocupo pessoalmente dos casos e me encontro com estas pessoas, recordo que eu também sou sacerdote e que um sacerdote é uma pessoa que leva consolo e obviamente me entristece escutar o que um sacerdote fez a estas pessoas (…) Não é fácil, mas para eles é inclusive mais difícil. Não é fácil para mim mas isto é preciso ser feito. É importante".

Para Dom Scicluna estes abusos são mais graves porque constituem uma "dupla traição": porque "um jovem confia na pessoa que logo abusa dele: o primeiro passo no abuso sexual é destruir esta confiança. A relação de confiança entre quem comete o abuso e sua vítima. E quando, logo, quem perpetra o abuso é um sacerdote, não se viola a confiança ‘humana’, mas a confiança ‘sagrada’. O sacerdote é ordenado para ser um ícone, uma imagem, a imagem vivente de Jesus Cristo. (Os abusos) são uma tragédia imensa para o indivíduo, para a vítima, para a Igreja".

O promotor de justiça da Congregação para a Doutrina da Fé ressalta logo o esforço da Santa Sé para enfrentar este delicado tema respeitando o que foi estabelecido pelo Papa João Paulo II e Bento XVI.

"As pessoas exigem justiça e têm direito a pedi-la em um determinado limite de tempo, mas espera-se também que sejam respeitados os direitos dos indivíduos. Agora, respeitar os direitos dos sacerdotes culpados não significa esquecer-se das vítimas, mas a justiça deve seguir o curso da lei e avançando no caminho esboçado pelo Cardeal Ratzinger, agora Bento XVI", prossegue.

Finalmente explica que "a Congregação para a Doutrina da Fé tem a possibilidade de oferecer procedimentos velozes aos bispos que denunciam casos gravíssimos".  

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