quinta-feira, 20 de maio de 2010

O parecer de Monsenhor Brunero Gherardini sobre as discussões teológicas entre a Fraternidade São Pio X e a Santa Sé.


Publicamos abaixo um excerto da entrevista concedida por Monsenhor Brunero Gherardini a Yves Chiron, em março deste ano:

Se não me engano, o senhor tinha sido sondado pela Santa Sé para participar das “conversações teológicas” que estão sendo realizadas, desde o outono de 2009, com a Fraternidade São Pio X. Por que o senhor não aceitou esta proposta?

Sinto muito, mas a discrição me impede de responder a esta pergunta.

Um acordo doutrinal entre a Santa Sé e a Fraternidade é possível? Sob que forma?

Sem dúvida alguma, e eu espero – e a Igreja também espera – que, para o bem das almas, chegue-se em breve a um acordo. Gostaria de responder adequadamente, mas não quero me afundar em detalhes. O Papa já fez muito para encontrar uma solução; devemos conceder isso. Mas é necessário trazer à tona o “quadro doutrinal” ao qual ele mesmo se refere. Este quadro, no entanto, não conduzirá a nenhum resultado se ele não permitir — como parece – mais que o confronto interminável de ponto contra ponto: as duas partes têm, cada uma, flechas apropriadas ao seu arco e a dialética, quando se quer, é capaz de colocar em evidência os motivos daquele que está errado.

Na minha opinião, não há mais que um argumento para se trazer à tona: João Paulo II o sugeriu quando, impondo a famosa excomunhão em 1988, reprovou a Fraternidade São Pio X por ter “uma incompleta e contraditória noção de Tradição”. Pessoalmente, eu tenho uma opinião totalmente diversa, mas é exatamente por isso que eu vejo na Tradição o único assunto doutrinal a ser tratado a fundo. Se conseguirmos esclarecer o conceito de Tradição sem se refugiar na escamoteação da tradição viva, mas também sem fechar os olhos para o movimento interno da tradição apostólica-eclesial “eodem tamen sensu, eademque sententia” [mantendo o mesmo sentido e o mesmo pensamento], o problema deixará de existir.

Objetivamente, a Fraternidade São Pio X não deveria, portanto, deixar de existir; ela poderia ser, no firmamento da Igreja, “uma sociedade de vida sacerdotal”, uma família de “Oblatos” ou claramente uma “Prelazia nullius”, visto que ela já tem vários bispos, mas, por caridade, afastemos os sonhos.

Escrito por G. M. Ferretti

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